O alívio de saber que criar não é um dom

A mensagem que um dos maiores músicos de todos os tempos lançou ao mar da criatividade. E que talvez seja para você.
Há algo de fascinante na ideia da mensagem jogada no mar (apenas como metáfora, pois não queremos poluir o oceano!). Você escreve, fecha na garrafa, solta sem controlar o destino. A mensagem pode se perder, pode demorar décadas, ou pode chegar à pessoa que precisava dela, no momento exato. Poderia ser algo assim: "Sai do teu próprio caminho para poder dar espaço àquilo que tem de vir naturalmente."
Quem assina essa mensagem é Quincy Jones, produtor de Michael Jackson, 28 Grammys, um dos maiores nomes da música mundialmente. Está no capítulo "Evitar a paralisia por análise" do livro 12 notas sobre a vida e a criatividade, escrito quase aos 90 anos para compartilhar o que aprendeu construindo um legado nas artes.

A premissa do livro é que toda a música do mundo ocidental nasce da combinação de apenas doze notas, as mesmas usadas por Bach, Beethoven e Brahms. Nada novo foi acrescentado a esse alfabeto. O que muda é o que cada um faz com ele. Criar não é esperar por uma décima terceira nota que nunca chega.
É aprender a organizar o que já existe, colocar verdade emocional no que está à mão. Por isso Quincy insistiu na noção de que a criatividade não é privilégio de gênios. É a união entre ciência e alma, razão e intuição. E qualquer pessoa carrega esse potencial, essa capacidade, com o direito de concretizá-la.
Deixe de ser a pedra no seu caminho
Quantas vezes o maior obstáculo à criação não fomos nós mesmos: o excesso de controle, de racionalização, de querer acertar antes de começar? A saída, diz o músico, não é pensar mais. É abrir espaço e deixar o fluxo chegar. E agir enquanto isso acontece.
Há coisas que só aparecem quando a gente solta o leme. A criação pede técnica, rigor e preparo, o lado esquerdo e científico do cérebro. Mas, no momento de deixar a alma agir, a gente deve abrir as comportas e liberar a represa.
No fim, criar é como lançar uma garrafa ao mar simbólico das ideias: exige método para elaborar, coragem para deixar ir e confiança de que a mensagem encontrará seu caminho.
As mesmas reflexões do compositor e outras camadas mais profundas também atravessam o documentário Quincy (2018), dirigido por Rashida Jones, filha dele, conhecida pela atuação na sitcom The Office, entre outros trabalhos interessantes.
Onde você ocupa tanto espaço que não sobra lugar para o que quer nascer?
Se essa ideia ressoou em você, há um lugar onde ela pode ser praticada. É exatamente nesse ponto que a Escafandro se encontra nas reflexões e métodos de Quincy. A Descompressão Criativa acolhe a mente saturada pelo repertório disperso e pelo sentimento de bloqueio persistente.
É uma oficina presencial, em turmas pequenas, para desacelerar, reorganizar e reativar o processo criativo com método. Transformar o excesso de análise em direção aplicável ao trabalho. Não prometemos atalhos. Prometemos profundidade, pausa e um convite para mergulhar. Se este é o seu momento de aprofundar, comece por aqui.


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