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Mais que a palavra

Breves reflexões sobre a gestão de crise da pandemia


Por Luiz Cláudio Ferreira*, Jornalista, especialista em Gestão de Crise, Doutor em Literatura e Práticas Sociais


Nos anúncios dos governos ou na placa da padaria da esquina. Nos postos de saúde ou na Bolsa de Valores. Na claridade da ciência ou nas sombras dos destemperos do achismo. A palavra “crise” é a principal no vocabulário brasileiro, bem como nas devidas traduções pelo mundo. Do lado de cá da Linha do Equador, da noite para o dia, o Brasil foi apresentado à maior crise de saúde dos últimos 102 anos, desde o terror da gripe espanhola.


Especialistas em saúde ou economia têm pronunciado que a pós-pandemia vai ser ditada pelo que fazemos hoje, em meio ao cataclismo. Em grande parte, têm razão. Só acrescentaria que uma eficiente gestão de crise nasce dos gerenciamentos de riscos (feitos antes, durante e depois de episódios trágicos como esse). Como é sabido, os primeiros casos de coronavírus vieram a público na China, no ano passado. A Organização Mundial de Saúde declarou a pandemia somente em 11 de março deste ano. Antes tarde… E pensar que há gestores governamentais ou da padaria da esquina fazendo galhofas ou titubeando sobre como agir.


Inquestionável que a principal das crises é a perda de vidas humanas. Imagine uma grande empresa em que o presidente discorda dos diretores. Cada um deles fala algo diferente para o público. Um diz para ir ao escritório. Outro aconselha a ficar no pátio da fábrica, com distância. Outro alerta que, de qualquer modo, o emprego está por um fio. Não há como não ficar perdido e apavorado nessa empresa.



É assim que se sente o brasileiro. Crise é mais que palavra. E gerir depende de ações e gestos. O que assistimos no Brasil é uma aula às avessas, o que jamais deveria ser feito, que desrespeita gabinetes de crise e conhecimento científico. São registros de uma história em que a comunicação pública dá sinais dúbios, invertidos, confusos e amedrontados.


Jamais faça isso da sua padaria, ou de qualquer outra empresa ou instituição. Em momentos assim, é fundamental uniformizar o discurso e praticá-lo. Ser verdadeiro, primar pela transparência e agir com rapidez trazem segurança aos públicos com quem se relaciona. Pode ser em um momento de rotina ou de uma crise do tamanho do mundo.


*Professor do curso Gestões de crise: antever riscos, ler cenários, comunicar de verdade



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